Quase uma tonelada de tilápia: colégio agrícola de São Mateus do Sul é pioneiro na piscicicultura

Estrutura e produção do Ceepa

O Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola (Ceepa) de São Mateus do Sul se destaca como o pioneiro na oferta de uma estrutura voltada para a formação prática em piscicultura dentro da rede estadual do Paraná. Em 2025, a unidade conseguiu produzir cerca de uma tonelada de tilápia, resultado que gerou em torno de R$ 10 mil em vendas para a comunidade local. Os lucros são reinvestidos na escola, principalmente na compra de insumos e na melhoria das condições de trabalho para os alunos.

Localizado na região Sul do Estado, o colégio atende atualmente 83 estudantes do curso técnico em Agropecuária, possuindo quatro tanques de criação com capacidade total para aproximadamente 2,7 milhões de litros de água. Essa infraestrutura robusta permite que os estudantes participem ativamente de todas as etapas da piscicultura, desde a chegada dos alevinos até o manejo e a comercialização do pescado.

Ciclo produtivo da tilápia

O ciclo de criação das tilápias no colégio se inicia com a aquisição de alevinos, que chegam com cerca de 2 centímetros de comprimento. O processo de cultivo tem uma duração aproximada de um ano, no qual os estudantes monitoram diariamente as condições de crescimento dos peixes e a qualidade da água. É crucial que os alunos realizem medições de parâmetros como oxigênio dissolvido e pH, além de ajustarem a ração fornecida.

piscicultura



Quando os peixes atingem cerca de 1,2 kg, a etapa de despesca é realizada, envolvendo a retirada planejada dos peixes dos tanques, seguida do processamento que inclui limpeza, filetagem e congelamento. Essas etapas são supervisionadas por uma médica veterinária, que garante padrões de qualidade e segurança sanitária durante todo o processo produtivo.

Integração com o aprendizado

Mais que uma simples atividade produtiva, a piscicultura na escola serve como um complemento à formação acadêmica. Os alunos aplicam diversas disciplinas em situações práticas: na disciplina de Química, eles estudam a química da água; em Matemática, gerenciam dados da produção para calcular ração, consumos e custos; enquanto em Finanças aprendem sobre o mercado e a comercialização do pescado.

Além disso, práticas sustentáveis são incorporadas ao currículo, permitindo que parte dos resíduos dos peixes seja transformada em adubo para as hortas orgânicas da escola. Esse formato de ensino integrado torna a piscicultura uma experiência educacional amplia e significativa, preparando os alunos para o mercado de trabalho.

Perspectivas futuras

O colégio já planeja aumentar a produção em mais de 50% para o próximo ciclo, com base em condições climáticas mais favoráveis e melhorias na ração e nas técnicas de manejo. Essa expansão não apenas melhora a produtividade, mas também fortalece o caráter pedagógico da experiência, garantindo que cada etapa do processo seja uma oportunidade de aprendizado. Conforme apontado por autoridades educacionais, a piscicultura é uma atividade em crescimento no Estado, e a incorporação dessa prática nas escolas é uma forma de preparar os alunos para as novas demandas do mercado agrícola.



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