Um projeto do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus São Mateus conquistou o terceiro lugar na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) 2026, na área de Educação e Humanidades. A pesquisa aborda a história do Porto de São Mateus.
O trabalho foi desenvolvido pelos estudantes Laila Sabino de Souza e Anthony Carlos Santos de Almeida e investiga o documentário como instrumento didático. A pesquisa também trata da valorização do patrimônio cultural regional.
A premiação foi anunciada em 30 de outubro, durante cerimônia no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Segundo informações encaminhadas por Thiago Rafalski Maduro, coordenador-geral da Feira de Ciências e Inovação Capixaba (Fecinc) do campus, o projeto recebeu ainda uma credencial para a Infomatrix-Brasil.

A participação mateense integrou a delegação do Espírito Santo, que levou cinco trabalhos à feira. A Mostratec 2026 reuniu cerca de 790 projetos de 13 países, com representantes de 21 estados brasileiros e do Distrito Federal.
Documentário resgata a história do Porto de São Mateus
Orientada pelo professor Fabio Paiva Reis, a pesquisa analisou como o documentário pode ser usado no ensino de História e na valorização do patrimônio cultural regional. O trabalho resultou no filme autoral Ecos do Passado: Uma História do Porto de São Mateus, com cerca de 35 minutos.
Para construir a produção audiovisual, os estudantes reuniram informações por meio de pesquisa bibliográfica, consulta a documentos e coleta de relatos de memória oral. Esses materiais serviram de base para apresentar aspectos da trajetória histórica do Porto de São Mateus.
A investigação relacionou a linguagem do documentário à narrativa histórica do porto e à sua utilização como recurso didático. Com isso, o filme produzido pelos estudantes integrou a pesquisa sobre a memória local e o patrimônio cultural de São Mateus.
Premiação reúne relatos de estudantes e orientadores
O estudante Anthony Carlos Santos de Almeida descreveu como marcante a oportunidade de apresentar a história do município a pessoas de diferentes regiões e países. Ele também mencionou a possibilidade de falar sobre o Espírito Santo e o Ifes durante a participação na Mostratec.
Laila Sabino de Souza afirmou que a conquista era aguardada havia bastante tempo e a relacionou a uma trajetória iniciada em São Mateus. A estudante agradeceu às instituições e iniciativas que contribuíram para o desenvolvimento do trabalho.
O orientador Fabio Paiva Reis avaliou que as feiras científicas podem ampliar as perspectivas acadêmicas e pessoais dos alunos. Segundo ele, a participação ajuda estudantes a alcançar possibilidades que talvez não imaginassem.
Na feira, os participantes também tiveram contato com pesquisas de outras regiões, universidades, pesquisadores e avaliadores. A diretora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão do Ifes Campus São Mateus, Rivana Zaché Bylaardt, disse que esses encontros permitem apresentar a produção da instituição e exercitar diferentes formas de comunicação do conhecimento.
Cinco projetos representaram o Espírito Santo na Mostratec
A comitiva capixaba reuniu dez estudantes autores em cinco trabalhos credenciados pela Feira de Ciências e Inovação Capixaba (Fecinc) 2025. A participação recebeu apoio do Programa Institucional de Popularização da Ciência (PROPOP-Ciência), do Ifes; o Conselho Regional dos Técnicos Industriais do Espírito Santo (CRT-ES) destinou apoio financeiro a quatro dos cinco projetos.
Entre os trabalhos estava o “Flood Stick: Solução de Baixo Custo para Mitigação de Inundações em Comunidades Ribeirinhas”, desenvolvido por Samuel de Almeida Correia, Sophia Deborah da Silva Rufino e Larissa de Oliveira Domingues, do Ifes Campus São Mateus. Orientada por Thomaz Rodrigues Botelho e coorientada por Walber Ronconi dos Santos, a pesquisa propõe um dispositivo autônomo e de baixo custo para medir o nível da água e transmitir informações em tempo real.
Outro estudo investigou extratos de nim e graviola como possíveis biolarvicidas naturais contra larvas do mosquito Aedes aegypti. O trabalho foi desenvolvido por Nickolas Ribeiro de Almeida Santiliano, do Ifes Campus Cachoeiro de Itapemirim, e João Sobreira Buter, do Ifes Campus Piúma.
Também foram apresentados um estudo de Nively Santana do Carmo sobre a figura da bruxa em Voladoras, de Mónica Ojeda, e uma pesquisa filosófica de Mariana Dettoni de Mendonça e Bianca Calaes Marim. O primeiro abordou violência, ancestralidade, resistência e padrões sociais impostos às mulheres; o segundo discutiu o direito de mentir a partir do embate entre Immanuel Kant e Benjamin Constant.


