Em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, a macadâmia é transformada em doces, biscoitos e gelato, além de ser comercializada no Brasil e no exterior. Segundo produtores entrevistados na reportagem, a atividade reúne famílias que mantêm o cultivo há décadas.
O plantio começou a ganhar força na região nos anos 1980, quando agricultores buscavam diversificar a produção. Naquele período, o governo estadual participou da iniciativa com subsídios e distribuição de mudas.
Eliseu e Ítalo Bonomo deram continuidade ao cultivo iniciado na família, enquanto Ana Paula investiu em produtos feitos com a amêndoa. Em 1999, agricultores de São Mateus também criaram uma cooperativa para organizar o beneficiamento e a comercialização.
O Espírito Santo é o segundo maior produtor de macadâmia do país, atrás de São Paulo, segundo produtores ouvidos na reportagem. A notícia aborda a permanência das famílias na atividade, a adoção de máquinas e a ampliação das formas de comercializar a noz.
Tradição familiar e organização dos produtores em São Mateus
Ao longo dos anos, as dificuldades da cultura levaram muitos agricultores a abandonar o plantio de macadâmia no Norte capixaba. Segundo o produtor Eliseu Bonomo, a atividade permaneceu em algumas propriedades mesmo após essa redução.
Em São Mateus, a cooperativa reúne agricultores para compartilhar conhecimentos e enfrentar os obstáculos da produção. A organização coletiva também ajudou a manter o cultivo na região.
O trabalho conjunto aproxima os produtores das etapas de beneficiamento e comercialização da noz. Com isso, a produção local é preparada para seguir tanto ao mercado brasileiro quanto a compradores de outros países.
Máquinas facilitam a colheita e ajudam a reduzir custos
Na propriedade da família Bonomo, máquinas recolhem do chão as macadâmias que caem das árvores. O equipamento foi adquirido em 2023 e passou a auxiliar uma etapa que exige bastante mão de obra.
De acordo com Ítalo Bonomo, a mecanização reduziu a quantidade de trabalhadores necessária nessa fase e os custos da colheita. Ele também afirmou que o equipamento contribuiu para melhorar a qualidade do serviço.
A área cultivada tem cerca de 100 hectares e mantém 15 funcionários fixos ao longo do ano. No período de colheita, esse número chega a aproximadamente 30, apesar do uso das máquinas.
Macadâmia ganha valor em produtos e alcança mercados internacionais
Na fazenda administrada por Ana Paula, a amêndoa é usada para produzir doces, biscoitos e gelatos. A ideia do doce surgiu com a tia dela, que criou a receita durante um curso do Empretec.
Depois de assumir a administração da propriedade, Ana Paula decidiu colocar o produto em fabricação e ampliar as possibilidades de venda. O processamento da amêndoa permite oferecer diferentes alimentos, além da noz comercializada sem transformação.
A cooperativa de São Mateus recebe cerca de 1.600 toneladas de macadâmia por ano para beneficiamento. Parte é vendida in natura ou torrada no Brasil, enquanto outra parcela segue para os Estados Unidos, a Europa e países da América do Sul.


