A pimenta-do-reino de São Mateus, no norte do Espírito Santo, corresponde a cerca de um quinto da produção brasileira. A estimativa considera dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) sobre a participação do município na produção capixaba e do estado no país.
O cultivo da especiaria está presente em 45 municípios do Espírito Santo, mas São Mateus lidera a produção estadual; Jaguaré aparece em segundo lugar, segundo o Incaper. O estado também está entre os principais produtores mundiais e exporta pimenta-do-reino para dezenas de países.
A cidade ganhou reconhecimento para outra especiaria em 18 de julho de 2023, quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) registrou a pimenta-rosa local como Indicação de Procedência. A área reconhecida abrange o município de São Mateus, conforme a Agência Sebrae de Notícias.

Conhecida como Capital Estadual das Especiarias desde 2020, São Mateus também tem uma história que remonta a 1544, de acordo com o Governo do Espírito Santo. A produção agrícola, o reconhecimento de origem e os atrativos históricos e litorâneos ajudam a situar a importância da cidade no norte capixaba.
Produção de pimenta-do-reino e exportações do Espírito Santo
O Espírito Santo responde por 60% da produção brasileira de pimenta-do-reino, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). São Mateus concentra 35% do volume estadual, enquanto Jaguaré, segundo colocado, reúne 12%.
A produtividade média das lavouras capixabas chega a 3,9 toneladas por hectare, acima das 3,1 toneladas por hectare registradas como média nacional. Os números do Incaper ajudam a dimensionar a diferença entre o rendimento estadual e o brasileiro.
Considerado como se fosse um país, o Espírito Santo ocuparia a terceira posição entre os produtores mundiais, atrás de Vietnã e Indonésia, de acordo com o Governo do Espírito Santo. O Brasil aparece em segundo lugar no ranking global.
Em um único ano, o estado exportou 51,5 mil toneladas da especiaria para 77 países, com receita de US$ 181,9 milhões. Mais de 67% do volume de pimenta-do-reino vendido pelo Brasil ao exterior saiu do Espírito Santo.
Indicação geográfica reconhece a pimenta-rosa de São Mateus
O litoral de São Mateus tem solo arenoso e bem drenado, condições que favorecem o cultivo da aroeira, árvore que produz a pimenta-rosa. A Agência Sebrae de Notícias informa que a área delimitada para a Indicação de Procedência corresponde ao município.
O trabalho do Incaper sobre a pimenta-rosa contribuiu para embasar o registro e recebeu prêmio em um simpósio nacional, conforme o próprio instituto. A pesquisa relaciona a produção local às características da área reconhecida.
A atividade se consolidou em São Mateus a partir da década de 1980. Segundo o Incaper, a pimenta-rosa certificada pode alcançar preços até 30% superiores aos praticados no mercado tradicional.
História, atrações e clima de São Mateus
A história municipal tem como marco 21 de setembro de 1544, data de fundação de São Mateus e razão pela qual é apontada como a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo. O antigo Povoado do Cricaré recebeu o nome atual em 1566, após a visita do padre José de Anchieta, segundo o Governo do Espírito Santo.
O porto às margens do rio Cricaré teve relevância na circulação de farinha de mandioca, café e madeira, de acordo com o governo estadual. Casarões ligados a esse passado formam o Sítio Histórico do Porto, tombado em 1976 pelo Conselho Estadual de Cultura.
Entre os atrativos históricos também estão as Ruínas da Igreja Velha, antigo templo no centro da cidade listado pelo governo estadual. Já a Ilha de Guriri reúne praia, bares e festivais de verão e fica a poucos quilômetros do centro, com acesso pela ES-315.
Na climatologia de 30 anos do Climatempo, as máximas de São Mateus variam de 24°C a 28°C, e o período mais seco é o inverno, com cerca de 60 milímetros de chuva por mês. Os volumes aumentam na primavera e chegam a 190 milímetros em novembro; no verão, dezembro registra 170 milímetros, enquanto fevereiro é mais seco. No outono, a média passa de 142 milímetros em março para 79 milímetros em maio.


