A história da Fazenda Lagoa Seca
A Fazenda Lagoa Seca, localizada no município de São Mateus, no norte do Espírito Santo, é um exemplo gritante de como a tradição familiar pode se entrelaçar com inovações no setor agrícola. Essa propriedade tem raízes que remontam à década de 1970, sendo uma das primeiras no Brasil a cultivar pimenta-do-reino em larga escala. O projeto foi iniciado pelo avô de Ana Paula Martim Machado, que ao longo dos anos, não apenas consolidou a fazenda como um espaço produtivo, mas também como um importante ponto de referência na agricultura brasileira.
O legado do avô e a curiosidade inicial
O avô de Ana Paula, um agricultor visionário, não se contentou apenas em cultivar os produtos tradicionais da região. Ele recebeu, na década de 1980, amostras de pimenta-rosa enviadas da SIAL em Paris, uma das maiores feiras de alimentos do mundo. Essa atitude curiosa resultou na introdução da pimenta-rosa na Fazenda Lagoa Seca. Com a resistência inicial, o avô acreditou no potencial da pimenta-rosa, mesmo considerando que se tratava de uma “praga”. Essa visão abriu caminho para a nova era da fazenda, que muito depois se tornaria a maior produtora de pimenta-rosa do mundo. Essa história é um exemplo da importância de abraçar novas possibilidades e de como a curiosidade pode levar a grandes descobertas.
Como a pimenta-rosa ganhou notoriedade
Durante a trajetória da Fazenda Lagoa Seca, a pimenta-rosa começou a ganhar notoriedade em todo o Brasil e, eventualmente, no mercado internacional. Ana Paula, ao assumir os negócios, investiu tempo e esforço para maximizar a produção dessa especiaria. O reconhecimento global veio acompanhado de desafios, mas a persistência foi a chave para o sucesso. Ao passar dos anos, o cultivo que antes era considerado uma curiosidade se tornou uma das principais fontes de renda e reputação para a fazenda, representando um elo importante no comércio internacional de especiarias.

Reconhecimento da Indicação Geográfica
Em 18 de julho de 2023, a pimenta-rosa cultivada em São Mateus recebeu a Indicação Geográfica (IG) na modalidade de Indicação de Procedência. Este reconhecimento foi um marco para os agricultores locais, afirmando a qualidade superior da pimenta-rosa da região em comparação a outros produtores no Brasil e no mundo. O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) destacou que a pimenta-rosa de São Mateus possui menor toxicidade, fator que a torna ainda mais valiosa e desejável no mercado global. A Indicação Geográfica não só ajuda a preservar a qualidade do produto, mas também fortalece a associação entre produto e local, estimulando o turismo rural e a valorização da cultura local.
Os desafios enfrentados por Ana Paula
A transição para a liderança da fazenda não foi fácil para Ana Paula. Após a morte de seu pai, ela teve que enfrentar diversos desafios emocionais e operacionais. Sem formação agronômica, Ana precisou aprender na prática, encarando dificuldades como dificuldades financeiras e a necessidade de constantes inovações no manejo da lavoura. Ana destaca que, em certas ocasiões, “errar faz parte do aprendizado”, enfatizando a ideia de que cada erro traz lições valiosas. A trajetória de Ana é um testemunho de resiliência, especialmente considerando as tragédias pessoais, incluindo a perda do pai e os desastres naturais que impactaram sua produção.
A transição da Petrobras para a agricultura
A decisão de deixar um emprego estável na Petrobras para se dedicar à agricultura não foi fácil, especialmente sabendo que ela herdaria um desafio significativo. A mudança foi motivada pela necessidade de honrar o legado familiar e dedicar-se à Fazenda Lagoa Seca. Ao longo dos anos, Ana enfrentou o estigma de ser uma “mulher no campo”, batalhando contra preconceitos e limitações impostas pela sociedade. No entanto, seus resultados superaram as expectativas, e ela gradualmente conquistou seu espaço. A transição serviu de inspiração para outras mulheres que buscam seguir a carreira no setor agrícola, provando que é possível romper barreiras e alcançar objetivos com dedicação e trabalho duro.
Perspectivas de produção e desenvolvimento
Com a excelência do cultivo de pimenta-rosa, Ana Paula está focada em expandir os horizontes da Fazenda Lagoa Seca. O cultivo de novas especiarias, como café e macadâmia, está em andamento, e os resultados têm mostrado promissora possibilidade de diversificação e crescimento econômico. A fazenda também se transformou em um laboratório de experiências para universidades e pesquisadores, que estudam as nuances das especiarias, contribuindo para um melhor entendimento das práticas agrícolas e aprimorando o manejo da cultura. Esse olhar voltado para o futuro é responsável por garantir a sustentabilidade da propriedade e, ao mesmo tempo, valorizar o conhecimento tradicional perdido ao longo do tempo.
O impacto das intempéries na lavoura
As condições climáticas têm um impacto significativo na produção agrícola e a Fazenda Lagoa Seca não está imune a isso. Em 2022, uma tragédia ocorreu quando chuvas excessivas resultaram em uma enchente que destruiu quase toda a produção da fazenda. Esse evento ressaltou a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas diante das mudanças climáticas. Apesar do desastre, Ana Paula proveu resiliência ao recomeçar. Ela conversou com seus parceiros e trabalhou com eles para reestabelecer a confiança e o fornecimento de produtos. O apoio e a colaboração entre agricultores se tornaram essenciais em momentos de crise, lembrando que a união pode superar os desafios mais difíceis.
Parcerias com grandes marcas
A parceria da Fazenda Lagoa Seca com a Natura destaca a importância de colaborações no setor agrícola. A produção de pimenta-rosa tornou-se um símbolo de responsabilidade social e ambiental, permitindo que a marca Natura fosse reconhecida pelo seu compromisso com a sustentabilidade e a ética no sourcing. Colaborar com marcas de prestigio não só solidifica a reputação da fazenda, mas também abre portas para novas oportunidades e mercados. O compromisso com a qualidade e o desenvolvimento sustentável se tornaram parte da identidade da fazenda, provando que produtos de origem local podem ter um imenso valor na escala global.
O futuro da pimenta-rosa no mercado global
Com o reconhecimento da indicação geográfica e a crescente demanda por produtos diferenciados, o futuro da pimenta-rosa parece promissor. O mercado internacional busca autenticidade, qualidade e práticas sustentáveis, características que a Fazenda Lagoa Seca pode fornecer. A crescente conscientização sobre a importância da proteção do meio ambiente impulsiona uma nova onda de interesse por produtos que se alinham a esses valores. Ana Paula, como líder de sua propriedade, tem a oportunidade de se destacar e estabelecer a Fazenda Lagoa Seca como uma referência não apenas pelo seu produto, mas pela sua história de inovação, resistência e comprometimento com a qualidade. O horizonte se apresenta brilhante, com promessas de crescimento e transformação para a pimenta-rosa no mercado global.


